Ocupação Mirada 2021

SESC SANTOS

2021

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  • Identidade visual e projeto de aplicações impressas e digitais da Ocupação Mirada – Festival Ibero Americano de Artes Cênicas, de 2021.

    Desde sua estreia, em setembro de 2010, cinco edições do Mirada – Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas – consolidaram sua vocação de revelar inquietações e opções temáticas e estéticas dos criadores de parte expressiva da produção e do pensamento em artes performativas na América Latina e na Península Ibérica. Apresentações, aberturas de processos de criação, debates e performances refletem a riqueza e a singularidade de contextos e culturas que coexistem nos territórios atravessados pelo Atlântico e por violentas histórias de colonização, ainda atualizadas em modos cada vez mais complexos. 

    Por conta da pandemia, a edição projetada para 2020 não se materializou presencialmente, mas esta Ocupação Mirada 2021, de forma sintética, possibilitou reunir testemunhos que poderão se tornar partilhas e experimentos. E disso derivar inspirações, diálogos com potencial de engendrar parcerias e manifestações artísticas que provoquem compreensões de mundos, a partir das quais floresçam novos engajamentos. O projeto desta identidade visual e de todas as aplicações que dela derivam pretendiam não só viabilizar parte dessas demandas, mas criar um registro histórico do evento. De maneira delicada, deveriam também celebrar a obstinação dos fazedores de cultura que, como em tantos outros momentos marcados por dificuldades diversas, mantiveram-se de pé.

  • A decisão de preservar a chave presente na marca original do festival, de autoria da designer Noris Lima, se deu pela constatação de que o símbolo ainda carregava camadas de significado bastante relevantes para o evento. Seu formato, por exemplo, relaciona-se com o movimento do mar e, consequentemente, com Santos – a cidade que sedia o festival sintetiza o espaço de encontro de diferentes povos através de seu porto. Da mesma maneira, é possível achar certa semelhança entre a chave e o enquadramento do proscênio (a versão mais clichê da moldura lateral da boca de cena, definida por cortinas abertas e amarradas).

    Depois de atravessarem uma atualização tipográfica sutil, os componentes da marca original foram isolados – logotipo (Mirada), símbolo (chave) e assinatura (festival ibero-americano de artes cênicas) tornaram-se elementos independentes na identidade visual, flexibilizando o sistema, revitalizando sua imagem e facilitando aplicações mais desafiadoras. Paralelamente, a repetição, rotação, espelhamento e tantas outras operações gráficas com a chave poderiam originar  diferentes grafismos. Essas variações não só poderiam distinguir cada edição do festival como também poderiam trabalhar evocando inquietações e temáticas de suas apresentações e atividades.

    A contundência das temáticas abordadas foi responsável pela escolha da cor dessa edição festival,  fluorescente, representando a urgência dos debates tangenciados. Nesse sentido, o verde, longe dos clichês, parecia tornar a comunicação mais habilidosa e cuidadosa na tentativa de não repelir nenhuma faixa de público, mesmo diante da característica provocativa inerente ao festival.

    A família tipográfica Trade Next foi escolhida para a identidade por seu impacto e clareza. Mesmo diante dos três idiomas apresentados e da heterogeneidade dos conteúdos, foi possível preserva-la como única família tipográfica do catálogo, afim de garantir discrição e certa harmonia visual para que os destaques pudessem ser alternados exclusivamente entre a identidade visual do festival e a grandiosidade das imagens.

  • Colaboração: Maria Cristina (Tina) Carvalho da Silva e Rogério Ianelli
    impressão do catálogo: Ipsis Gráfica e Editora