A Família Medeiros

EDITORA CARAMBAIA

2021

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  • Projeto gráfico para o livro “A Família Medeiros”, de Julia Lopes de Almeida (1862-1934). Abolicionista, feminista e republicana, foi uma das escritoras mais ativas e lidas de seu tempo. Participante do grupo de intelectuais que planejou a criação da Academia Brasileira de Letras (ABL), Julia constava da primeira lista de imortais que constituíam a organização. Na primeira reunião, contudo, seu nome foi excluído porque os demais participantes concluíram que, como a Academia Francesa, a brasileira não deveria aceitar mulheres. Em seu lugar, emblematicamente, incluíram seu marido, Filinto de Almeida (o veto à participação feminina só terminou em 1977).

    Trata-se do segundo romance da autora, publicada originalmente em formato de folhetim, entre as edições do último trimestre de 1891 da Gazeta de Notícias (Rio de Janeiro). Narra uma história de amor, alguns mistérios por desvendar e o conflito entre jovens abolicionistas e senhores de escravo – não por acaso o livro foi concluído em 1888, ano de promulgação lei da abolição da escravidão no Brasil. Paralelamente, tangencia também temas como o autoritarismo patriarcal, a emancipação feminina, a distribuição de lucros, as relações de trabalho e a dignidade humana.

    A atual publicação pretende contribuir com a reparação do apagamento histórico sofrido nos últimos cem anos por uma autora tão relevante. Em paralelo, engrossa o caldo de reflexões e discussões acerca do sentido da abolição no Brasil contemporâneo que, sob diversos pontos de vista, não aconteceu. 

  • A ilustração de uma flor na capa deste livro poderia mimetizar a história de amor de seu enredo. No entanto, é aplicada referindo-se à dimensão simbólica das camélias: os brasileiros confessavam sua fé abolicionista no final do século XIX por meio de seu uso em lapelas, vestidos ou mesmo cultivadas em jardins. Com isso, identificavam-se em uma espécie de comunicação secreta. Esse jogo entre delicadeza e violência também é reforçado pela memória da gravura, característica nas representações da época em que o livro foi escrito.

    O uso do lilás menciona diretamente o compromisso explícito da escritora com o feminismo e sua agenda. Seu nome na capa, aplicado na mesma escala do título do livro, responde simbolicamente ao apagamento sofrido por essa e tantas outras mulheres ao longo da história.

  • Editora-chefe: Graziella Beting • Editora: Livia Deorsola • Edição de arte: Laura Lotufo • Assistente editorial: Kaio Cassio • Assistente de coordenação editorial: Karina Macedo • Produção gráfica: Lilia Góes • Impressão: Ipsis Gráfica e Editora • Fotos dos livros: Nino Andrés • Preparação: Paulo Sergio Fernandes • Revisão: Ricardo Jensen de Oliveira e Huendel Viana

  • LADAWARDS 2022 · Latin American Design | Shortlist